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Representantes do governo chinês estiveram ontem
em Brasília para estudar o sistema brasileiro
de notas e registros imobiliários, um dos mais
elogiados do mundo. Junto com a Espanha, o Brasil é
referência internacional, e já foi consultado
anteriormente pela Rússia, quando da transição
do regime socialista para o capitalismo. A idéia
da China é utilizar sistema cartorário
para controle dos bens imóveis do país,
mesclando os exemplos espanhol e brasileiro.
Hoje, não existe propriedade privada na China.
Toda a terra pertence ao Estado e é utilizada
por particulares em caráter de concessão
de uso. Bem diferente do Brasil, onde a transferência
do bem imóvel entre particulares é uma
das mais seguras do mundo, com intermediação
do notário e do tabelião registrador.
O primeiro é o que elabora o contrato de transferência
do imóvel, unindo no mesmo documento as intenções
de venda e de compra. O segundo, o registrador, confere
a viabilidade da transação, avaliando,
por exemplo, se a propriedade já não foi
transferida para outra pessoa anteriormente.
- Parece simples mas, num lugar onde a propriedade privada
não existe a décadas, é um desafio.
Como foi com os russos, eles não tem noção
do que significa o registro de imóveis - comentou
Léa Portugal, assessora internacional da Associação
de Notários e Registradores do Brasil (Anoreg)
e titular do 2º Ofício de Registro de Imóveis
de Brasília, que trabalhou como consultora dos
russos.
Segundo Zhu Mingshan, vice-presidente da Comissão
de Assuntos Internos e Judiciais da Assembléia
Popular Nacional da China - espécie de Congresso
Nacional - o objetivo da visita é ter fundamento
para elaborar uma lei cartorial perfeita, que seja vantajosa
econômica e socialmente.
- Procuramos o Brasil porque nossos países são
as duas nações em desenvolvimento mais
importantes dos hemisférios ocidental e oriental.
É mais um passo no proveitoso intercâmbio
entre os dois países, que começa agora
a se aprofundar.
Jornal do Brasil: 16 de junho de 2004
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